Costuroterapia

Com base na experiência do Costura Humanitária, e do público nele envolvido, fui percebendo como a costura era um pilar importante na nossa sociedade, especialmente para as senhoras, e como na verdade, todas tinham histórias de costura nas suas famílias, havendo em muitas casas a velhinha máquina de costura a pedal, que ainda alimentava romanticamente a lembrança de tantas voluntárias.

E pude então constatar, que coser, não é só coser. É o tempo que se doa. É o cuidado na peça, é a busca pelo fazer bem, pelo agradar a alguém, por fazer alguém feliz. Que coser é um gesto de amor, e uma forma de amar.

E coser é também ser amigo. É conversar e rir. É integrar. É acolher. É partilhar. Coser é estar. É ter objetivos. É servir. É estar vivo!

E assim, nasceu o Costuroterapia, totalmente descentralizado, que vem para chegar às pessoas, aquelas que estão ou que não estão sozinhas, aquelas que precisam ou simplesmente querem conversar, aquelas que querem aprender ou ensinar, aquelas que precisam da palavra, do abraço, e às vezes do colo. Que precisam de se ocupar. Para não esquecer, para pensar. E para “com-viver”! E que, já agora, também queiram costurar.

A costura, um hábito desde sempre das mulheres portuguesas, ressurgiu com toda a força na pandemia em 2020 com o tempo obrigatório de ficar em casa, e muitas máquinas de costura voltaram a conhecer a luz do dia, pelas mãos das suas mães de casa, matando as saudades doces de um tempo em que havia tempo. No pós Covid, renasceu a vontade de não deixar novamente no esquecimento o que tanto prazer dá, o fazer pela sua própria mão, e para isso, era preciso continuar a costurar. 

Com a confirmação de como as pessoas gostam de de ter uma distração com objetivos, foi muito natural esta linha de pensamento em que se oferece uma alternativa a essa procura do “querer-se” estar envolvido na atividade de costurar. E costurar, tem na verdade, só vantagens: dá prazer, é uma atividade criativa, faz pensar, e cria belas peças úteis feitas à mão, com o tempo do amor e o amor do tempo, e faz as delícias de quem as recebe.

Além disso, no caso, ainda favorece a pégada ecológica, já que se aproveitam muitas vezes roupas usadas e se recriam novas peças, com técnicas do chamado upcycling de mãos dadas com a criatividade. 

Assim, a vertente de solidariedade social do Costuroterapia convida a que pessoas desempregadas, pessoas reformadas, pessoas que trabalhem a meio tempo, pessoas com algumas vulnerabilidades de saúde, ou com vulnerabilidades sociais de algum tipo, encontrem neste espaço, a possibilidade de ocupação, de inclusão, de sentido de utilidade, de aprender ou relembrar, através da arte da costura, de se autovalorizar, seja através da aprendizagem de novas técnicas, seja de estimular a sua criatividade pessoal e/ou do grupo, seja de promover a sua participação e interação com o grupo, melhorar a sua autoestima e confiança, e até, de poder vir a obter algum rendimento extra com as suas peças individuais ou coletivas, agora também disponíveis para venda pelos participantes aderentes na nossa loja online, porque a costura regenera a mente, melhora a resiliência, e motiva a vontade de fazer, de construir, melhora várias destrezas e amplifica a felicidade

Costurar faz bem, é verdade, mas por vezes as pessoas não se motivam a costurar sozinhas, por isso se diz que a costura promove a saúde social.

Elas gostam de estar umas com as outras, gostam da partilha, do desafio, de uma realização participada. Mas isso quase nunca é acessível. Ou só está disponível em workshops de lojas comerciais, sempre caros e normalmente distantes da sua residência, ou online, onde a inexistência dos contactos pessoais dificulta a comunicação, a interação, a partilha e a aprendizagem.  

 

O Costuroterapia apresentou-se como a solução para esta lacuna no nosso concelho, oferecendo estas mais valias, e proporcionado a criação de novas experiências, onde cada participante vai escrever a sua própia história numa aprendizagem participativa e integrativa.

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